Uma avaliação dermatológica é recomendada quando as fissuras são recorrentes, extensas e não apresentam melhora com hidratação adequada.

Para algumas pessoas, as fissuras nos pés — ou pés rachados — representam apenas um problema estético. Mas, para outras, pode ser um alerta para condições de doenças dermatológicas ou sistêmicas. Elas exigem avaliação dermatológica quando são recorrentes, extensas e não apresentam melhora com hidratação adequada.
Segundo Joana Petito Magnavita, dermatologista, embora a xerose ou ressecamento excessivo da pele seja uma das causas mais frequentes, fissuras persistentes podem ser manifestação de dermatites e doenças como diabetes e hipotireoidismo.
“Entre as causas dermatológicas, podemos destacar dermatite atópica, dermatite de contato, psoríase palmoplantar, queratodermias e algumas dermatofitoses, especialmente a chamada tinea pedis hiperqueratósica”, afirma.
Comuns nos calcanhares, os pés rachados são decorrentes de uma alteração da barreira cutânea associada ao aumento da espessura da camada córnea, chamada hiperqueratose. “Quando a pele perde água e lipídios, ocorre redução da sua elasticidade, somada à pressão mecânica exercida sobre os calcanhares durante a marcha e ao ficar em pé”, explica a médica.
Fatores de risco
Entre as condições que favorecem o problema, estão:
- xerose cutânea (pele seca);
- clima frio e seco;
- banhos quentes e prolongados;
- uso frequente de calçados abertos no calcanhar;
- hábito de andar descalço;
- obesidade;
- permanência prolongada em pé;
- alterações biomecânicas da pisada;
- envelhecimento, devido à redução progressiva da capacidade da pele de reter água e manter uma barreira cutânea adequada.
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Tratamento para pés rachados
O tratamento, conforme a dermatologista, tem como objetivo restaurar a barreira cutânea, aumentar a retenção de água e, quando necessário, reduzir o excesso de queratina. A hidratação deve ser realizada diariamente, preferencialmente após o banho, utilizando formulações com agentes umectantes, emolientes e oclusivos.
“A ureia é um dos ativos mais utilizados porque, dependendo da concentração, pode apresentar ação predominantemente hidratante ou também queratolítica. Outros componentes úteis incluem glicerina, ácido lático ou lactato de amônio, ceramidas e agentes oclusivos, como petrolato”, detalha Magnavita.
Segundo ela, em casos de hiperqueratose mais importante, podem ser utilizados queratolíticos em concentrações específicas, sempre de maneira individualizada.
“É importante ressaltar que produtos contendo concentrações elevadas de ureia ou ácidos não devem ser utilizados indiscriminadamente sobre fissuras abertas, inflamadas ou sangrantes, pois podem causar irritação significativa”, afirma.
Mesmo com as opções de tratamento, a prevenção sempre será o melhor caminho.
Como evitar as fissuras?
A prevenção envolve principalmente a manutenção adequada da barreira cutânea e a redução dos fatores mecânicos que favorecem os pés rachados. Recomenda-se:
- fazer hidratação diária;
- evitar banhos muito quentes e prolongados;
- utilizar calçados que proporcionem suporte adequado ao calcanhar;
- reduzir, quando possível, o atrito e a pressão excessivos sobre a região.
“Um erro frequente é o uso excessivo de lixas, pedras abrasivas ou, principalmente, lâminas para remover a hiperqueratose. A retirada agressiva da camada córnea pode comprometer ainda mais a barreira cutânea, provocar microtraumas, sangramento e aumentar o risco de infecções secundárias”, alerta a dermatologista.
Quando procurar avaliação médica
As fissuras deixam de representar apenas uma alteração estética quando atingem camadas mais profundas da pele e passam a causar dor, sangramento ou comprometimento funcional. Sinais como eritema, edema, aumento da temperatura local, secreção e piora progressiva podem indicar inflamação ou infecção secundária e exigem avaliação médica.
“A atenção deve ser especialmente rigorosa em pacientes com diabetes, neuropatia periférica ou alterações vasculares. Nesses indivíduos, fissuras aparentemente pequenas podem representar uma porta de entrada para infecções e apresentar maior risco de complicações”, pontua.
Sempre que houver dúvidas sobre o estágio da fissura, a recomendação é marcar uma consulta com um especialista para avaliação do quadro.
