14 mil raparigas vão receber 100 mil meticais para iniciar negócios em Moçambique

Cerca de 14 mil raparigas moçambicanas, de diferentes pontos do país, deverão receber 100 mil meticais cada, em apoios financeiros não reembolsáveis, para iniciar os seus próprios negócios. A iniciativa foi anunciada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a abertura da VIII Conferência Nacional sobre Mulher e Género, que decorre na cidade de Maputo.

Segundo o Chefe do Estado, o apoio faz parte de um programa de capacitação e promoção do empreendedorismo feminino, desenvolvido em parceria com o Banco Mundial. A iniciativa pretende dotar jovens mulheres de competências que lhes permitam desenvolver actividades geradoras de rendimento e participar de forma mais activa na economia nacional.

Chapo explicou que o programa está ligado à entrega de bolsas a jovens moçambicanos. Durante uma recente visita a Nicoadala, na província da Zambézia, foram entregues bolsas a cerca de 72 mil jovens a nível nacional, sendo 56 mil mulheres.

“Estivemos em Nicoadala (Zambézia) há três dias. Fizemos a entrega de bolsas para cerca de 72 mil jovens a nível nacional, dos quais 56 mil são mulheres (…). Vamos capacitar estas jovens ou raparigas para o empreendedorismo. E no fim da capacitação, cada rapariga vai receber 100 mil meticais sem necessidade de reembolso para começar com negócios”, declarou o Presidente.

De acordo com o Presidente da República, o financiamento deverá permitir que as beneficiárias transformem os conhecimentos adquiridos durante a formação em actividades económicas concretas. Por se tratar de um apoio não reembolsável, as beneficiárias não terão de devolver os 100 mil meticais recebidos, embora os critérios de elegibilidade, mecanismos de selecção e modalidades de desembolso dependam da implementação do programa.

Foco no empreendedorismo feminino

A medida enquadra-se nos esforços para promover a autonomia económica das mulheres e aumentar a participação feminina no sector produtivo. O Governo considera que o acesso a financiamento, aliado à formação profissional e empresarial, pode ajudar as jovens a criar pequenos negócios, gerar rendimentos e, potencialmente, criar oportunidades de emprego para outras pessoas.

O Presidente destacou ainda a necessidade de preparar as jovens para as transformações do mercado de trabalho e para sectores considerados estratégicos para o crescimento económico.

“Queremos que a jovem mulher possa adquirir competências relevantes para a economia moderna e que possa entrar nos sectores onde continuam a existir maiores oportunidades de crescimento”, afirmou Chapo.

Apoio poderá beneficiar pequenos negócios

Com os 100 mil meticais, as beneficiárias poderão, de acordo com os modelos de empreendedorismo que forem definidos pelo programa, utilizar o financiamento para iniciar ou estruturar actividades económicas. Entre as possibilidades normalmente associadas a programas desta natureza estão pequenos negócios comerciais, prestação de serviços, actividades agropecuárias, transformação de produtos e outras iniciativas geradoras de rendimento.

A aposta na capacitação antes da atribuição do financiamento pretende reduzir o risco de utilização inadequada dos recursos, permitindo que as beneficiárias tenham conhecimentos básicos sobre gestão de negócios, planeamento, mercado, controlo financeiro e empreendedorismo.

Investimento na mulher e na economia

Para Daniel Chapo, o impacto da iniciativa vai além do benefício individual para as jovens. O Presidente defende que o fortalecimento da capacidade económica das mulheres poderá contribuir para dinamizar as economias locais e, consequentemente, a economia nacional.

“Isto vai empoderar a nossa economia, vai empoderar a mulher moçambicana”, afirmou.

A expectativa é que o programa contribua para aumentar o número de mulheres envolvidas em actividades económicas sustentáveis e para ampliar o acesso das jovens a oportunidades em sectores com maior potencial de crescimento.

O programa deverá abranger cerca de 14 mil raparigas, mas informações sobre quando começam as candidaturas, quais serão os critérios de selecção, como será feita a distribuição dos 100 mil meticais e quais negócios serão elegíveis deverão ser esclarecidas pelas entidades responsáveis pela implementação da iniciativa.

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